O “flâneur” / A “flaneuse” (apenas para as turmas de Publicidade)

(ATENÇÃO: Esta postagem destina-se apenas aos alunos e alunas de Publicidade e Propaganda. Ela faz parte de um projeto integrado do curso. Essa mesma experiência será realizada com as demais turmas no segundo semestre. Mas… quem quiser dar uma olhada, fique à vontade)

Os professores Camila, Fábio (Fotografia Publicitária) e Liraucio (Sociologia) definiram o modelo do primeiro trabalho integrado do curso de Publicidade e Propaganda.

Escolham entre 10 passagens de cada texto:

“A Rua” (João do Rio)

“O flâneur, a cidade e a vida pública virtual” (Mike Featherstone)

Escolham entre  05 versos do poema de Pablo Neruda, “Sobre uma poesia sem pureza”.

No ensaio fotográfico, realizado no centro da cidade, vocês devem procurar imagens que representem essas passagens selecionadas

 

ALGUMAS ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

Abrir uma conta no Flickr (uma por grupo):  https://www.flickr.com/

 Cada grupo dará um título ao seu Flickr.

Em “Sobre”  produzir um parágrafo de apresentação do ensaio (com ajuda da Camila e do Fábio)

Cada trecho dos textos e da poesia escolhidos servirá de legenda para a foto.

Um exemplo de trabalhos que podem servir como modelo: 

 Flickr da nossa ex-aluna de RP Tamires Rodrigues ou Grupo 4EVINTE de PP

Todos os Flickrs serão reunidos na plataforma do projeto:

ATAVIST : Rastros, Restos e Ruas: https://rastrospp.atavist.com/flanar

(Exemplo de uma experiência parecida realizada para o Projeto Cidadania em 2015)

 



A Rua ( João do Rio) – Eu fiz uma seleção de algumas passagens da crônica

“Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós.

 
Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia — o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia,
 
Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua… Abri o primeiro, abri o segundo, abri dez, vinte enciclopédias, manuseei in-folios especiais de curiosidade.
 
A rua era para eles apenas um alinhado de fachadas por onde se anda nas povoações. Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma!… Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar… Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua!
 
Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça… É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico.
 
Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. Do alto de uma janela como Paul Adam, admira o caleidoscópio da vida no epítome delirante que é a rua; à porta do café, como Poe no Homem da Multidões, dedica-se ao exercício de adivinhar as profissões, as preocupações e até os crimes dos transeuntes…
 
O flâneur é ingênuo quase sempre. Pára diante dos rolos, é o eterno “convidado do sereno” de todos os bailes, quer saber a história dos boleiros, admira-se simplesmente, e conhecendo cada rua, cada beco, cada viela, sabendo-lhe um pedaço da história, como se sabe a história dos amigos (quase sempre mal), acaba com a vaga idéia de que todo o espetáculo da cidade foi feito especialmente para seu gozo próprio…
 
[Sobre as ruas] Algumas dão para malandras, outras para austeras; umas são pretensiosas, outras riem aos transeuntes e o destino as conduz como conduz o homem, misteriosamente, fazendo-as nascer sob uma boa estrela ou sob um signo mau, dando-lhes glórias e sofrimentos, matando-as ao cabo de um certo tempo.
 
Oh! sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, spleenéticas , snobs, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue… Se as ruas são entes vivos, as ruas pensam, têm idéias, filosofia e religião. Há ruas inteiramente católicas, ruas protestantes, ruas livres-pensadoras e até ruas sem religião…
 
Nas grandes cidades a rua passa a criar o seu tipo, a plasmar o moral dos seus habitantes, a inocular-lhes misteriosamente gostos, costumes, hábitos, modos, opiniões políticas. Vós todos deveis ter ouvido ou dito aquela frase: — Como estas meninas cheiram a Cidade Nova! Não é só a Cidade Nova, sejam louvados os deuses!
 
Há meninas que cheiram a Botafogo, a Haddock Lobo, a Vila Isabel, como há velhas em idênticas condições, como há homens também. A rua fatalmente cria o seu tipo urbano como a estrada criou o tipo social… As ruas são tão humanas, vivem tanto e formam de tal maneira os seus habitantes, que há até ruas em conflito com outras. Os malandros e os garotos de uma olham para os de outra como para inimigos. Mas, a quem não fará sonhar a rua? A sua influência é fatal na palheta dos pintores, na alma dos poetas, no cérebro das multidões. Quem criou o reclamo? A rua! Quem inventou a caricatura! A rua! Onde a expansão de todos os sentimentos da cidade? Na rua! ” 



Texto inspirado em FEATHERSTONE, Mike. O flâneur, a cidade e a vida pública virtual. In: ARANTES, Antonio A. (org.). O Espaço da Diferença. Campinas/SP: Papirus, 2000

Ao falarmos da modernidade é impossível não citar Walter Benjamin e seus estudos sobre Charles Baudelaire e Paris. São neles que encontramos suas observações sobre o flâneur – uma figura típica da vida urbana parisiense do século XIX – que vamos tentar resgatar para pensar o mundo contemporâneo.
 
Vamos começar lembrando que a palavra flâneur é masculina e que o feminino é flaneuse. Aquilo que o flâneur faz é chamado de flanerie e está relacionado com o seu profundo envolvimento com a observação do cotidiano das metrópoles. Mergulhar na cidade com todos os seus sentidos, adotando uma postura muito simples: “Tornar o estranho familiar e o familiar estranho”.
Como vimos, na seleção de algumas passagens da crônica do João do Rio, A rua, o flâneur é um vagabundo. Essa afirmação, entretanto, merece um comentário.
 
Se todo flâneur é um vagabundo, nem todo vagabundo é um flâneur. Ele é um vagabundo que reflete. Sua prática é uma arte, um ofício exercitado sempre que possível, sem hora marcada, sem duração determinada, sem trajeto pré-definido. Pode parecer fácil, mas perder-se na cidade não é uma tarefa tão fácil quanto parece para quem já a conhece.
 
Talvez, existam diversas formas de flanerie, mas a que destacamos aqui está diretamente relacionada ao trabalho de crônistas, poetas, fotógrafos, compositores populares, romancistas entre outros. E, por que não, publicitários, jornalistas, profissionais do audiovisual e relações públicas.
A flanerie não está relacionada apenas ao caminhar sem rumo e sem pressa pela cidade, mas em observá-la, registrar e classificar o que se vê, fazer associações, buscar intertextualidades naquilo que se vê. É preciso ser uma espécie de “botânico do asfalto”.
 
Dito isto, por que não pensar essa experiências nos tempos em que vivemos, um tempo de formação de espaços híbridos, em que o espaço físico e o virtual integram-se de um modo cada vez mais complexo.
 
Por que não passamos a olhar a cidade e o nosso cotidiano como uma rede, ou um conjunto de textos, uma mapa, ou, ainda, uma cidade de dados (tão ao gosto da lógica digital). O que essas metáforas nos ajudam a enxergar?


Mike Featherstone observa que até o final do século XX, o ensaio era uma forma muito interessante de expor ideias. O aparecimento do hipertexto possibilitou um tipo de escrita por blocos de conteúdo que se interligam por meio de links. Eles não precisam ter uma forma linear, podemos navegar ou dar saltos por “pedaços de textos e ideias” de uma forma relativamente livre.

Mas, será esse um método totalmente novo?

Ele vai dizer que não. Walter Benjamin, já havia construído o seu projeto sobre as Galerias e a cidade de Paris baseado em algo parecido com o conceito do hipertexto. A navegação era organizada por letras.

Benjamin era um colecionador de “sinais e pistas” em sua busca por vestígios da experiência moderno. Partia em busca de panfletos, ingressos, fotografias, anúncios, diários, recortes de jornal. De algum modo, era possível passar de um a outro e tentar encontrar uma rede de conexões e montagens fragmentadas. A forma de expor seu trabalho seguia a própria lógica da vida urbana moderna. Seu texto era a representação da própria metrópole.

Esse método foi inspirado nos experimentos do surrealismo e nas possibilidades de fotomontagem trazidas pela máquina fotográfica.

E o que era essa nova cena urbana, essa nova experiência?

A cidade é, então, uma fonte de alegorias… uma confusão de mercadorias e fragmentos da cultura de consumo…

A aceleração, o aumento da velocidade que caracteriza a vida na metrópole, associada à experiência constante do choque na multidão que toma conta das ruas, geram um tipo de hiperestímulo que lança o homem e a mulher moderna em um turbilhão de novas sensações e riscos. A vida vertiginosa da cidade, nas palavras de João do Rio – grande cronista carioca do século XIX-XX.

Mobilidade, hiperestímulo e choque são as palavras-chave.

Essa sobrecarga é acompanhada, por outro lado, por novas experiências de distração como as revistas e o cinema. A reação dos homens e mulheres modernas é caracterizada pelo que o sociólogo Georg Simmel chamou de “atitude blasé”.

Em meio a este cenário, surge o personagem que queremos estudar em nossa aula – o flâneur – e um certo tipo de atitude que o caracterizaria: o perambular sem rumo pela cidade, inspirado por um lema clássico do romantismo que é o de “tornar o familiar estranho e o estranho familiar”.

Há uma grande discussão a respeito da associação da flanerie a uma prática tipicamente masculina. No entanto, as flaneuses estavam ligadas às experiências de espaços como as galerias (os centros de compras da metrópole) e atividades de caridade e auxílio aos mais pobres. As Galerias eram um espaço totalmente novo de consumo e trazia experiências muito particulares.

Para as feministas, haviam vários espaços para a flanerie feminina: lojas de departamentos, casas de chá, restaurantes, hotéis, museus, galerias e exposições. O problema desses espaços é que estavam vinculados ao mundo do consumo, que, por preconceito, foi durante muito tempo desprezado pelos pesquisadores.

Um mundo de mercadorias cresce à volta dos habitantes das cidades – inclusive por meio dos anúncios – e transforma-se em um novo tipo de experiência que podem parecer gratuitas, passear pelas galerias e observar as vitrines, esses ambientes estetizados.

Ao lado dessa flanerie pela cidade, novas experiências sensoriais são trazidas pelo cinema, pela fotografia, pela publicidade que cresce vertiginosamente.

Hoje, é possível o acesso por transmissão digital, por cabo ou por streaming de diversos tipos de conteúdos audiovisuais, por meio de diversos tipos de aplicativos.

Com os meios de comunicação tradicionais como a televisão, tínhamos uma forma curiosa de experiência: um tipo de mobilidade privatizada. O lar passava a ser o lugar a partir do qual abria-se uma janela para o mundo. Ele era o centro para o qual convergiam revistas, jornais, panfletos e programas de rádio e televisão. Com o surgimento dos transístores, foi possível dar certa mobilidade ao rádio que podia ser ouvida em lugares públicos como campos de futebol e bares, por exemplo.

As novas mídias digitais trouxeram mudanças nesse sentido. O aparecimento do hipertexto e dos aplicativos tornaram possível um novo tipo de “passeio” por esse espaço. Não há mais uma programação, horários fixos de exibição, caminhos pré-estabelecidos.

A TV digital possibilita não apenas o zapping, mas o zipping (avançamos sobre as partes que não gostamos ou que nos deixam entediados), o que muda nossa experiência de fruição.

Ver (Museum of Broadcast Communications)

Essa comunicação não é mais unidirecional (dos meios de comunicação para os espectadores ou ouvintes). Ela permite tipos diferentes de interações (um para um – um para poucos – poucos para poucos – poucos para muitos – muitos para muitos – muitos para poucos).

Tudo se transforma em um grande banco de dados que pode ser rastreado, mapeado e analisado. A experiência pode ser individualizada a partir de padrões de consumo e navegação adotados pelos usuários. O antigo espectador ou ouvinte, agora, torna-se produtor de conteúdo (podendo não apenas produzir conteúdos novos como remixar conteúdos já existentes e distribuí-los para quem quiser)

É possível flanar sobre o espaço urbano e o espaço virtual, no entanto, há diferenças importantes nessas experiências. A velocidade com que podemos nos deslocar na internet (essa cidade de dados) não tem equivalente no espaço urbano, limitado pelo nosso corpo e pelos meios mecânicos de transporte.

Para realizar essa caminhada, dependemos de alguns companheiros muito particulares: os aplicativos e os algoritmos.

Essas reflexões inspiraram um gênero literário novo, conhecido como movimento cyberpunk. Um dos seus principais representantes é o escrito William Gibson, que cunhou o termo ciberespaço em sua obra Neuromancer de 1986. Um ambiente de simulação e formação de realidade ampliadas que traz novas possibilidades de produção de narrativas e ambientes de interação.

Se no século XIX, o romance policial dava suas caras e o detetive era aquele que conseguia desvendar os crimes em um novo ambiente urbano (caótico). O flâneur não deixa de ser uma espécie de detetive do cotidiano.

A morte do flâneur já foi anunciada várias vezes desde o século XIX.

Será que o aparecimento dos meios de transporte (como o trem, o metrô, o ônibus, os automóveis, as bicicletas) modificaram a experiência da flanerie ou acabaram com ela?

Será que a nossa navegação pelos mecanismos de busca ou pelos aplicativos são uma nova forma de flanar pelo mundo de dados?

Será que não queremos chegar cada vez mais rápido àquilo que procuramos e, por isso dependemos cada vez mais os recursos de recomendação e avaliação de reputação de livros, filmes, séries etc.?

Não queremos perder tempo ou não queremos nos perder e abrir a possibilidade de novas descobertas?



Sobre uma poesia sem pureza

Pablo Neruda

É muito conveniente, em certas horas do dia ou da noite, observar profundamente os objetos em descanso: as rodas que percorreram longas, poeirentas distâncias, suportando grandes cargas vegetais ou minerais, os sacos das carvoarias, os barris, as cestas, os cabos e asas dos instrumentos do carpinteiro. Deles se desprende o contato do homem e da terra como uma lição para o torturado poeta lírico. As superfícies usadas, o gasto que as mãos infligiram às coisas, a atmosfera frequentemente trágica e sempre patética destes objetos infunde uma espécie de atração não desprezível à realidade do mundo.  A confusa impureza dos seres humanos se percebe neles, o agrupamento, uso e desuso dos materiais, as marcas do pé e dos dedos, a constância de uma atmosfera humana inundando as coisas a partir do interno e do externo.Assim seja a poesia que procuramos, gasta como por um ácido pelos deveres da mão, penetrada pelo suor e pela fumaça, cheirando a urina e a açucena salpicada pelas diversas profissões que se exercem dentro e fora da lei.  Uma poesia impura como um traje, como um corpo, com manchas de nutrição, e atitudes vergonhosas, com pregas, observações, sonhos, vigília, profecias, declarações de amor e de ódio, bestas, arrepios, idílios, credos políticos, negações, dúvidas, afirmações, impostos. A sagrada lei do madrigal e os decretos do tato, olfato, paladar, vista, ouvido, o desejo de justiça, o desejo sexual, o ruído do oceano, sem excluir deliberadamente nada, sem aceitar deliberadamente nada, a entrada na profundidade das coisas num ato de arrebatado amor, e o produto poesia manchado de pombas digitais, com marcas de dentes e gelo, roído talvez levemente pelo suor e pelo uso. Até alcançar essa doce superfície do instrumento tocado sem descanso, essa suavidade duríssima da madeira manejada pelo orgulhoso ferro. A flor, o trigo, a água têm também essa consistência especial, esse recurso de um magnífico tato.  E não nos esqueçamos nunca da melancolia, do gasto sentimentalismo, perfeitos frutos impuros de maravilhosa qualidade esquecida, deixados de lado pelo frenético livresco: a luz da lua, o cisne ao anoitecer, “vida minha” são sem dúvida o poético elementar e imprescindível. Quem foge do mau gosto cai no gelo.  



Texto Base

FEATHERSTONE, Mike. O “flâneur”, a cidade e a vida pública virtual. In: ARANTES, Antonio A. (org.). O Espaço da Diferença. Campinas/SP: Papirus, 2000.

Texto Complementar

PEREC, Georges. Aproximações do quê? Alea, Rio de Janeiro , v. 12, n. 1, p. 177-180, June 2010 .

________________. Vida: Modo de Usar. São Paulo : Companhia das Letras, 2009 (capítulo 1: Escadarias)

PINO, Claudia Amigo. O espaço modo de usar: Georges Perec Lettres française, n.7, 2006


Vale a penas conhecer o projeto de iniciação científica realizado em nossa Faculdade (CIP) por: Roseani Vieira Rocha. A figura do flâneur no entendimento da prática jornalística sob a luz de João do Rio: um caso brasileiro. São Paulo, Anagrama, ano 4 n.1 st/nov 2010

As cidades masculinas erguidas pelo urbanismo do século 20 Camilo Rocha, Nexo,  29 Jun 2018 

9 rolês nas quebradas de SP para você aproveitar seu bairro – 29/06/2018 – 17:45Atualizado: 02/07/2018 – 13:30 – Por: Agência Mural de Jornalismo das Periferias

BALBI, Thiago Machado Balbi, FERRARA, Lucrécia D’Alessio Ferrara. Por uma teoria psicogeográfica da comunicação. Intexto, Porto Alegre, UFRGS, n. 41, p. 14-34, jan./abr. 2018


ARTIGOS

A tribute to female flâneurs: the women who reclaimed our city streets – the guardian, (cities) 29/07/2016

TEORIA DA DERIVA E O URBANISMO SITUACIONISTA – Blogue Cidadades Contemporâneas – Posted 

The flâneur – the keen-eyed stroller who chronicles the minutiae of city life – has long been seen as a man’s role. From Virginia Woolf to Martha Gellhorn, it’s time we recognised the vital, transgressive work of the flâneuse.

Share your experiences and stories of urban walking

Dinamarquês faz mistura de filme e vídeo – ESTHER HAMBURGER Folha de S. Paulo, 28/08/1995

A rotina dos vendedores de mate nas praias do Rio, sob calor de 40º e com 50 kg nas costas15 janeiro 2018 (Veja a diferença da reportagem pelo facebook)

Caderno de Domingo – Jornal do Brasil, 2003

Olhe para todo o resto. Projeto das alunas Gabriela Cristine, Guilherme Zibetti, Leticia Mevis, Roberto Cardoso  (Projeto criado para aula de sociologia do primeiro ano de Publicidade e Propaganda da faculdade Casper Líbero)


Flanerie musical – Every Noise at Once/Repórtagem Nexo

Win Wenders – Entrevista

Finding Vivien Maier (In 2007 Chicago 26-year-old real estate agent – and president of the Jefferson Park Historical Society  – John Maloof walked into an auction house and placed a $380 bid on a box of 30,000 prints and negatives from an unknown photographer. Realizing the street photographs of 1950s/60s era Chicago and New York were of unusually high quality he purchased another lot of photographer’s work totaling some 100,000 photographic negatives, thousands of prints, 700 rolls of undeveloped color film, home movies, audio tape interviews, and original cameras.)

A “Vivian Maier” russa: 30 mil fotos singulares encontradas no sótão – IPhoto Channel – 14 de Março de 2018

Nova York através de um iPhone – O fotógrafo Andrew Lichtenstein utiliza seu celular para retratar a vida cotidiana da cidade a partir de um outro ponto de vista El País, 01/04/2014

Mapas Afetivos (página do facebook)


The Arcades Project

Walter Benjamin (1892-1940)

A Exceção e a Regra

Estranhem o que não for estranho. Tomem por inexplicável o habitual. Sintam-se perplexos ante o quotidiano. Tratem de achar um remédio para o abuso. Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra.

(Bertold Brecht)

POEMA DE JOSÉ PAULO PAES: “LIBERDADE INTERDITADA” – 1973


O Cisne (Charles Baudelaire)

…Paris muda! porém minha melancolia Não!

andaimes, palácios novos, avenidas, blocos, para mim tudo vira alegoria,

E mais que as pedras, pesam lembranças queridas…

 

O Sol (Charles Baudelaire)

Ao longo dos subúrbios, onde nos pardieiros/Persianas acobertam beijos sorrateiros,/Quando o impiedoso sol arroja seus punhais/Sobre a cidade e o campo, os tetos e os trigais,/Exercerei a sós a minha estranha esgrima,/Buscando em cada canto os acasos da rima,/Tropeçando em palavras como nas calçadas,/Topando imagens desde há muito já sonhadas….

Quando às cidades ele vai, tal como um poeta,/Eis que redime até a coisa mais abjeta,/E adentra como rei, sem bulha ou serviçais,/Quer os palácios, quer os tristes hospitais.”. O sol, ao fim, espanta até a tristeza dos hospitais, um poema solar em forma literal na obra baudelairiana.

* * *

“Pequenos Poemas em Prosa” (também conhecida como Le Spleen de Paris) de Charles Baudelaire.

XLVI
A PERDA DA AURÉOLA

“Olá! O senhor por aqui, meu caro? O senhor nestes maus lugares! O senhor bebedor de quintessências e comedor de ambrosia! Na verdade, tenho razão para me surpreender!”

‘Meu caro, você conhece meu terror de cavalos e viaturas. Agora mesmo, quando atravessava a avenida, muito apressado, saltando pelas poças de lama, no meio desse caos móvel, onde a morte chega a galope de todos os lados ao mesmo tempo, minha auréola, em um brusco movimento, escorregou de minha cabeça e caiu na lama do macadame.
Não tive coragem de apanhá-la. Julguei menos desagradável perder minhas insígnias do que me arriscar a quebrar uns ossos. E depois, disse para mim mesmo, há males que vêm para o bem. Posso, agora. passear incógnito, cometer ações reprováveis e abandonar-me à crapulagem como um simples mortal, E eis-me aqui, igual a você, como você vê.”
“O senhor deveria, ao menos, colocar um anúncio dessa auréola ou reclamá-la na delegacia caso alguém a achasse.”
“Não! Não quero! Sinto-me bem assim. Você, só você me reconheceu. Além disso a dignidade me entedia. E penso com alegria que algum mau poeta a apanhara e a meterá na cabeça descaradamente. Fazer alguém feliz, que alegria! e sobretudo uma pessoa feliz que me fará rir. Pense em X ou em Z. Hein? Como será engraçado.”
 

Imprecisa Premissa (Paulo Leminski)

Cidades pequenas, como dói esse silêncio, cantilenas, ladainhas, tudo aquilo que nem penso, esse excesso que me faz ver todo o senso, imprecisa premissa, definitiva preguiça com que sobe, indeciso, o mais ou menos do incenso. Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, tende piedade de nós.
 

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime! Ser completo como uma máquina! (…) Fraternidade com todas as dinâmicas! Promíscua fúria de ser parte-agente Do rodar férreo e cosmopolita Dos comboios estrênuos…
(Fernando Pessoa. Ode Triunfal).
 
***
 
Nada perdeu a poesia. E agora há mais as máquinas Com a sua poesia também, e todo o novo gênero de vida Comercial, mundana, intelectual, sentimental, Que a era das máquinas veio trazer para as almas.
(Fernando Pessoa. Ode Marítima)
 

 

Tendências, coisas e descrição social em Erner, Perec, Becker e Manovich – Publicado em

“Em outro trabalho, ‘Tentativa de esgotamento de um local parisiense’, Perec anotou tudo o que viu durante três dias em uma praça parisiense chamada Saint-Sulpice. A vibração do fluxo de pessoas, carros, animais, objetos ou mesmo elementos atmosféricos é descrita ora de forma aparentemente desencontrada, ora de forma que dá luz a classes de coisas (…) A convergência entre a descrição exaustiva e minuciosa de ambientes, fenômenos e acontecimentos sociais – e sua aplicação na percepção de tendências – se aproxima das possibilidades engendradas pela abundância de dados sociais digitais. No projeto The Exceptional and the Everyday: 144 Hours in Kiev, Manovich, Alise Tifentale, Mehrdad Yazdani e Jay Chow. Entre 17 e 22 de fevereiro, os autores coletaram 13.208 imagens geolocalizadas no Instagram em uma área central de Kiev, durante a Revolução Ucraniana. ” Foto de Georges Perec. Por trás de um grande pensador há sempre um cabelo bacana e um gato.

(Foto de Georges Perec. Por trás de um grande pensador há sempre um cabelo bacana e um gato.)

A pesquisa de campo experimental Perecquiana – Publicado em


Dérive app – Urban Exploration App (We’ve worked on adding ‘hosted dérives’ to Dérive app. In a hosted dérive, all participants get presented the same task cards at the same time, wherever they are in the world. We’re officially introducing hosted dérives on Dérive Day, September 9, but you can test drive them right now.) – Dicas

What is Dérive app


Christopher Nolan – “Following”

 



CAMPANHA DA FIAT #VEM PRA RUA (CONTOS DA RUA) RAFA CAMILO (CÁSPER) E FERNANDO CALVACHE (APRESENTAÇÃO DO CASE NA CÁSPER 2014)


MÚSICAS

Dívidas – Paulinho da Viola

Dias de Santos e Silvas – Gonzaguinha

Ladeira da Memória – Grupo RUMO
Na Zona Sul– Sabotage
Endereço dos Bailes – Mc Júnior e Mc Leonardo
Modão de Pinheiros – O Terno
Museu Humano – Débora Setera (1 JOA- Casper)
São Paulo: não há saídas! – Itamar Assumpção

Go Fish (or Desconstruct This) – Patricia Heigh Brown – New York Times, 21/03/2004

 
(Theory Tranding Cards) Ingress (Pré- Pokémon Go) – Artigo de Rafael Evangelista comentando o jogo.
 
Sonia Luyten. A cidade e os mangás

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“Memórias de 2010, quando havia um muro verde na esquina da Rebouças com a Av. Brasil. Chroma Key urbano com personagens do cotidiano.”

 

Natura Homem | A jornada do novo Flâneur from Monstro Filmes on Vimeo.

 

 

 

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