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Aula 2: Interacionismo Simbólico

ATENÇÃO: VAMOS FINALIZAR A PARTE II DA AULA 1 EM ALGUMAS SALAS E INICIAMOS A AULA 2

George Herbert Mead era um dos pesquisadores da primeira geração da Universidade de Chicago (Escola de Chicago) e estava ligado, diretamente, ao chamado pragmatismo do qual John Dewey também fazia parte.

Suas pesquisas estavam voltadas à Psicologia Social, Filosofia e Educação. No entanto, seus cursos eram frequentados por sociólogos.

Mead observa que alguns animais são capazes de desenvolver processos comunicacionais baseados em uma conversação de gestos (sinais que indicam reações a uma determinada situação). No entanto, a comunicação de outros animais, como os seres humanos, depende da sua capacidade de produzir uma comunicação baseada em símbolos que, para serem efetivos, precisam ser compartilhados e interpretados.

A linguagem simbólica é fundamental na capacidade de comunicação humana. A capacidade que temos de criar símbolos verbais ou não-verbais significantes, faz com que sejamos capazes de ouvir a nós mesmos – o que nos dá uma sensação de termos um self. Quando nos imaginamos a partir de um self, somos capazes de nos ver atuando.

Calvin & Haroldo – Bill Watterson

Do mesmo modo somos capazes de reconhecer os outros com os quais falamos. Para Mead esta é a nossa capacidade de reconhecer “o outro generalizado”. Eu consigo me ver a partir da capacidade que tenho de entender como os outros me veem.

Nesse processo de socialização a criança passa da brincadeira – em que ela copia os papéis do seu pai, de sua mãe e de seus amigos próximos de forma gratuita – para o jogo – e sua capacidade de reconhecer papéis genéricos como pai, mãe, professor é fundamental para que possa reconhecer a situação em que está colocada.

“O indivíduo influencia o modo que os outros o verão pelas suas ações. Por vezes, agirá de forma teatral para dar uma determinada impressão para obter dos observadores respostas que lhe interesse, mas outras vezes poderá também estar atuando sem ter consciência disto. Muitas vezes na será ele que moldará seu comportamento, e sim seu grupo social ou tradição na qual pertença (Goffman, 2007, p. 67).”

O Dia em que a Terra parou (Raul Seixas)

Ao observar a ação social é possível verificar que ela consiste de um gesto inicial (dotado de significado) de um indivíduo que produz uma interpretação e uma ação por parte de outro indivíduo (direta ou indireta) e que resulta de uma definição de situação por parte dos dois.

Herbert Blumer

Herbert Blumer, sistematizou as principais premissas ou os principais fundamentos do que ele chamou de Interacionismo Simbólico 

AS TRÊS PREMISSAS DO INTERACIONISMO

Seu texto clássico sobre o Interacionismo Simbólico, começa com o que ele chamou de três premissas dessa teoria e merecem muita atenção.

Primeira premissa

Os seres humanos só conseguem agir no mundo a partir do significado que este mesmo mundo lhes dá. Sem significado não há ação simbólica.

Segunda premissa

Esse significado não é dado pela natureza e nem é instintivo. Ele é construído socialmente por meio da interação com outros indivíduos. O significado do mundo é construído na interação com o outro.

Terceira premissa

A ação não é mecânica, ou seja, o significado de alguma coisa não aparece automaticamente. O significado é produzido por meio de processos interpretativos. Vivemos em um mundo que depende de interpretação

A IMPORTÂNCIA DOS UNIVERSOS SIMBÓLICOS

Stranger Things

O Interacionismo simbólico defende a ideia de que os “universos” acessíveis aos seres humanos e seus grupos compõem-se de “objetos”, e que estes são o produto da interação simbólica.

Entende-se por objeto tudo que for passível de ser indicado, evidenciado ou referido — uma nuvem, um livro, uma legislatura, um banqueiro, uma doutrina religiosa, um fantasma, etc. Para nossa maior conveniência, podemos classificar os objetos em três categorias:

  1. Objetos físicos (os objetos materiais que conhecemos);
  2. Objetos sociais (o papel social que exercemos: pais, professores, irmãos);
  3. Objetos abstratos (valores e crenças: justiça, liberdade, felicidade).

O significado dos objetos é, basicamente, gerado a partir do nosso convívio social.

* * *

Os objetos oferecem-nos um novo quadro do ambiente ou meio em que os seres humanos convivem. Os seres humanos, por assim dizer, podem coexistir lado a lado e, contudo, habitarem diferentes universos. Para compreender os atos humanos é preciso identificar seu universo de objetos.

Em segundo lugar, os objetos (quanto a seu significado) devem ser considerados como criações sociais — como elementos formados originados do processo de definição e interpretação, à medida que este ocorre na interação humana.

Calvin & Haroldo – Bill Watterson

ESQUEMAS TIPIFICADORES

Por último, o Interacionismo simbólico observa que usamos, constantemente, esquemas tipificadores para reconhecer as pessoas e as situações que nos cercam.

Assim, tenho esquemas tipiticadores de  ‘homem’, ‘europeu’, ‘comprador’, ‘jovem’, ‘brasileiro’ etc. O outro também me apreende de uma maneira tipificada e esses esquemas tipificadores são usados em contínua ‘negociação’ na situação face a face.

William I. Thomas nos falava da “definição de situação”.  Essa ideia-chave para a Sociologia pode ser encontrada em uma obra de 1928 (The Child in America[2]) escrita em co-autoria com Dorothy Swaine Thomas.[3]

Erving Goffman, observa, também, que trabalhamos com quadros de referência para entender as situações em que nos encontramos. Sem esses quadros não conseguimos entender o sentido de uma ação.

“Presumivelmente deve-se quase sempre buscar uma ‘definição da situação’, mas normalmente os que estão envolvidos na situação não criam esta definição, embora frequentemente se possa dizer que a sociedade a que pertencem o faz; ordinariamente, tudo o que eles fazem é avaliar corretamente o que a situação deveria ser para eles e então agir de acordo” (Goffman 2012, p.23).


Seria possível utilizar o termo “definição midiática de situação”?

De Frente pro Crime  (João Bosco/Aldir Blanc)


TEXTO-BASE

BERGER, Peter; LUCKMAN, Thomas. A construção social da realidade: Tratado de sociologia do conhecimento. Tradução de Floriano de Souza Fernandes. ed. 18ª. Petrópolis: Vozes, 1999

BLUMER, Herbert A Natureza do Interacionismo Simbólico In: MORTENSEN, c. David. Teoria da Comunicação: textos básicos. São Paulo: Mosaico, 1980 Trechos importantes do texto“A natureza do Interacionismo simbólico”

GOFFMAN, Erving.  A representação do eu na vida cotidiana. 14ª ed., Petrópolis, Vozes, 2007

___________________. Os quadros da experiência social: uma perspectiva de análise. Petrópolis, Editora Vozes, 2012

RÜDIGER, Francisco. Teorias da Comunicação. Porto alegre: Penso, 2011 ( Cap. A Escola de Chicago e o Interacionismo simbólico).

CARVALHO, Virgínia Donizete de; BORGES, Livia de Oliveira; REGO, Denise Pereira do. Interacionismo simbólico: origens, pressupostos e contribuições aos estudos em Psicologia Social. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 30, n. 1, p. 146-161, mar.  2010  –   acesso em  29  nov.  2018.


MONTY PHYTON

Tente imaginar qual é a relação entre esse quadro humorístico do Monty Phyton e o que vimos nesta aula.

Ou tente imaginar a relação entre esta cena de Shrek e os esquemas tipificadores


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