fetichismo da mercadoriaMarx/Engelstrabalho

Karl Marx (1818-1883) – F. Engels (1820-1895): parte II


How Meme Culture Is Getting Teens into Marxism
-by Hannah Ballantyne- Teen Week – Broadly -Apr 27 2017, 2:45pm

A Alienação e o Fetichismo da Mercadoria

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“Podemos distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião — por tudo o que se quiser. Mas eles começam a distinguir-se dos animais assim que começam a produzir os seus meios de vida, passo este que é condicionado pela sua organização física.”

(Feuerbach. Oposição das Concepções Materialista e Idealista – Capitulo Primeiro de A Ideologia Alemã – Karl Marx e Friedrich Engels 1845-46)

Vamos dar uma olhada neste esquema (acima).

É importante notar o peso que a noção de TRABALHO tem no pensamento de Marx. O trabalho é a forma pela qual os seres humanos produzem o mundo em que vivem, o modo pelo qual trabalham, as relações que estabelecem entre si e as ferramentas e técnicas que criam acabam por configurar esse mundo.

“Pelo trabalho, o homem … modifica o mundo e se modifica a si mesmo. Produz objetos e, paralelamente, altera sua própria maneira de estar na realidade objetiva e de percebê-la.”

(Leandro Konder. O futuro da filosofia da práxis)

No capitalismo, esse esquema assume uma forma histórica particular.

Devido à sua forma de propriedade privada, os meios de produção concentram-se na mão de algumas pessoas apenas. Com isso, as leis, o Estado e a ideologia organizam-se ao seu lado como uma forma de existência política e jurídica muito particular.

Marx está preocupado com as relações sociais em que os indivíduos se envolvem e não com a sua individualidade propriamente dita.

Ele não fala de indivíduos e, sim, de classes.

Os proletários (força de trabalho) e a burguesia (capital) dependem um do outro para sua existência. Por isso, a produção vai ser sempre coletiva.

Mas, a maioria dos indivíduos contam apenas a sua força de trabalho que precisa ser “vendida” para quem tem os meios de produção. Ao mesmo tempo em que dependem uns dos outros, essa relação é assimétrica e contraditória como veremos.

Marx, como um grande leitor do pensamento econômico liberal, valoriza muito a descoberta desses economistas que centram a produção da riqueza no trabalho.

Até então, os economistas fisiocratas diziam que a riqueza vinha da terra.

Quem descobriu que o trabalho era uma categoria fundamental de estudo foram os economistas liberais. O que eles não analisaram direito foi como o trabalho se organiza no capitalismo.

Foi aqui que Marx identifica uma relação de exploração que passa despercebida para esses economistas.

Se a riqueza vem do trabalho, como explicar que a maior parte da riqueza produzida pelo proletariado não fica com ele e, sim, com quem é dono dos meios de produção. Marx percebe que essa parcela de riqueza que é retirada do trabalhador funciona como uma mais-valia, uma valor produzido a mais que não vai para as mãos de quem o produziu.

Logo, a riqueza não pode vir do trabalho, mas da exploração do trabalho de alguém. Se alguém enriquece, esse alguém não é o proletário. Pelo contrário, ele se empobrece e se aliena em todos os sentidos.

Quanto mais rico é o mundo que produz, mais pobre ele fica.

Ele não controla o que produz. Não controla como produz. E não controla o que é feito com aquilo que produz.

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Quem controla tudo é sempre um ser alheio a ele, é sempre algo fora dele que conduz a sua vida: daí a noção de alienação.

Essa alienação vai ter consequências profundas no seu modo de perceber o mundo que ele mesmo criou.

Ao se deparar com as mercadorias que produziu – e pelas quais recebeu um salário – ele vai ver que, muitas vezes, não pode comprá-las. O mesmo se dá com o prédio que ajudou a erguer, mas no qual nunca vai poder morar. Talvez, nem passar perto. E assim vai.

As mercadorias ganham vida e ele se torna um objeto. Elas o definem, dão um lugar a ele. Todo o seu trabalho – e de seus colegas- que estão nela, são apagados e elas aparecem com um poder sobrenatural.

Elas ganham vida e são capazes de definir o que ele é. Daí, a noção de “fetichismo” da mercadoria.

A mercadoria

Marx começa sua principal obra, O Capital, analisando a mercadoria. A unidade básica que traduz a lógica burguesa ou capitalista. No capitalismo os produtos asumem a forma-mercadoria, ou seja, neles é possível identificar a produção de dois tipos de valores diferentes: o valor de uso e o valor de troca.

O valor de uso é a utilidade de um bem. O ar, a água etc pode ser um valor de uso e não ser uma mercadoria. A lógica do DIY (Do It Yourself ), a produção de um bem artesanal para si mesmo, produz valor de uso, mas não mercadoria.

Nas formas de produção capitalistas, além do valor de uso de uma coisa, é produzido um valor de troca. O valor de troca é o tempo de trabalho socialmente necessário para produzir um bem e que vai ser trocado no mercado.

Essa lógica faz com que a utilidade de um bem só faça sentido se puder ser convertida em um valor de troca. O que se produz é relativamente indiferente (camisas, carros, educação, petróleo, música etc.) desde que possa assumir a forma-mercadoria e ter um valor de troca.

Não é a utilidade de um bem o sentido de seu produção, mas a sua capacidade de ser convertido em mercadoria e lucro.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MARX/ENGELS (História). Coleção Grandes Cientistas Sociais (org. Florestan Fernandes). 3.ed. Ática: São Paulo, 1989

QUINTANERO, Tânia; BARBOSA, Maria Lígia de O. ; OLIVEIRA, Márcia G. Um toque de clássicos. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.


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PLATAFORMIZAÇÃO DO TRABALHO – VALE MUITO A PENA OUVIR
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